XIV Domingo do Tempo Comum | Ano A

Tema: Deixar Deus ser Deus
Texto Bíblico: Mt 11,25-30

No domingo passado, o Evangelho nos colocou diante da pergunta mais importante de toda a vida cristã: “E vós, quem dizeis que eu sou?” (Mt 16,15). Jesus não queria apenas uma resposta correta. Queria uma resposta que nascesse da experiência. Não perguntava o que os discípulos haviam aprendido sobre Ele, mas quem Ele havia se tornado para eles.

Hoje, o Evangelho parece responder à pergunta feita na semana passada. Depois de perguntar quem Ele é para nós, agora é o próprio Jesus quem revela quem realmente é. E faz isso de uma maneira surpreendente, pois:

  • Não realiza um milagre;
  • Não manifesta seu poder;
  • Não impressiona as multidões.

Ele abre o próprio coração.

Mateus 11,25-30 é um dos textos mais profundos de todo o Evangelho, porque nele Jesus não revela apenas sua missão. Revela sua identidade.

Antes de dizer:

“Vinde a mim…”

Jesus faz uma oração ao Pai.

“Eu te louvo, Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste estas coisas aos sábios e entendidos e as revelaste aos pequeninos.”

À primeira vista, essa afirmação pode parecer estranha. Será que Deus prefere os ignorantes? Será que a inteligência afasta o ser humano da fé? Certamente não.

A Igreja sempre valorizou profundamente o estudo, a razão e a busca sincera pela verdade. O próprio cristianismo deu origem a universidades, preservou bibliotecas, impulsionou a filosofia e fez da inteligência um caminho para contemplar a obra do Criador.

O problema, portanto, não é a sabedoria. O problema é a autossuficiência. Existe uma enorme diferença entre quem sabe muito e quem acredita que já sabe tudo.

Os “sábios e entendidos” de que Jesus fala não são aqueles que estudaram. São aqueles que já não conseguem aprender. São aqueles que transformaram o conhecimento em orgulho. Que deixaram de escutar. Que perderam a capacidade de surpreender-se.

Enquanto isso, os “pequeninos” não são os menos inteligentes. São aqueles que permanecem interiormente disponíveis. São os que reconhecem que não controlam tudo. Que não possuem todas as respostas. Que continuam fazendo perguntas. Que ainda conseguem maravilhar-se diante do mistério. São os que deixam Deus ser Deus, sem a arrogância de querer determinar o que Deus irá fazer.

A fé não começa quando acumulamos respostas. A fé começa quando reconhecemos que Deus é sempre maior do que nossas explicações.

Talvez por isso exista um paradoxo tão bonito na vida espiritual:

Quanto mais alguém conhece verdadeiramente Deus, mais percebe que ainda há infinitamente mais para conhecer.

Os santos nunca foram pessoas que acreditavam dominar Deus. Foram pessoas profundamente conscientes do mistério diante do qual estavam. É justamente essa abertura interior que Jesus chama de pequenez.

Não é uma questão de capacidade intelectual. É uma atitude do coração. Porque Deus não entra num coração cheio de certezas sobre si mesmo. Ele entra num coração que ainda sabe acolher.

O maior obstáculo para a ação de Deus não é a falta de inteligência, mas a falta de humildade.
  • O orgulho fecha as portas do coração.
  • A humildade mantém as portas abertas.

Por isso, antes de revelar seu Coração manso e humilde, Jesus nos mostra qual é a primeira condição para conhecê-lo:

Tornar-se pequeno.

Não pequeno diante do mundo. Mas pequeno diante de Deus. Porque somente quem reconhece que precisa ser conduzido permite que Cristo o conduza.

E talvez esta seja a primeira grande pergunta que o Evangelho nos faz neste domingo:

Meu coração ainda é capaz de aprender com Deus ou já está ocupado demais pelas minhas próprias certezas?

Porque a fé começa exatamente quando termina a ilusão de que podemos compreender e controlar tudo.

É quando o orgulho cede lugar à confiança que Deus encontra espaço para revelar quem Ele realmente é.

No domingo passado fomos convidados a responder quem Jesus é. Neste domingo é Jesus quem revela quem Ele é.

“Aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração.”

E quando Jesus diz: “Aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração.” Ele não está ensinando um conceito moral, mas revelando a identidade do próprio Deus.

Lembre-se:

O Deus revelado por Jesus não muda conforme a pessoa que está diante d’Ele. Ele não é misericordioso para uns e vingativo para outros. Se Cristo revela um Pai manso e humilde de coração, não temos o direito de reconstruí-lo à imagem dos nossos ressentimentos.

Deixe Deus ser Deus.

Autor: Pe. Adriano da Levedove

Padre, psicólogo, pedagogo e estudioso da psicologia analítica junguiana.
Contato: alevedove@gmail.com

“O melhor lugar para se estar é no Seu Coração, Jesus!” – Pe. Adriano da Levedove

Horário de Atendimento

Segunda-feira

13h30 às 17h

Terça à Sexta-feira:

9h às 12h | 13h30 às 17h

Sábado:

9h às 12h

© 2025 Criado por MB3 tech