Nossa Semana Santa

Às vezes nós esquecemos do óbvio: a semana começa no Domingo - que é o primeiro dia.

Segunda-feira, como o nome já diz, vem de segundo; segundo dia. Terça de terceiro e assim por diante.

Assim, quando desejamos “bom final de semana” estamos na verdade dizendo “bom sábado” - apesar de, no entendimento geral, queiramos dizer “bom sábado e domingo”.

O que nos leva a refletir: o que mais aceitamos como verdade, apenas porque sempre foi assim? Precisamos pensar, analisar, e encontrar a nossa verdade. Afinal que faz sentido para uns, pode não fazer para outros.

Após estas considerações, vamos ao tema: Semana Santa - que obviamente começa no Domingo de Ramos e termina no Sábado de Aleluia.

Uma semana, para muitos, igual a outras e até com um “feriado” na sexta-feira e chocolate no domingo; mas para nós, cristãos, uma Semana Santa.

Santa, porque nos faz lembrar daquele que nos amou tanto que até se entregou na cruz para nos mostrar o Caminho, a Verdade e a Vida - e vida plena, que se tem quando de fato se ama.

No Domingo de Ramos (único dia em que a celebração tem a leitura de dois evangelhos) lembramos a entrada de Jesus em Jerusalém.

Se tivesse sido outra pessoa, não seria uma entrada triunfal, afinal, estava Jesus sobre um burrinho.

Triunfal seria entrar na cidade montado em um cavalo puro sangue, e guiando uma tropa de soldados como se fosse um general de exército.

Era assim que muitos, na época, pensavam e imaginavam que seria o enviado por Deus para libertar o povo de Israel do jugo imposto pelo império romano.

Mas, Jesus entra na cidade, a notícia se espalha por conta de sua fama de pregador e curandeiro, e uma multidão se forma acenando com ramos e tapetes, cantando e louvando a Deus.

Tal passagem nos faz lembrar que para sermos grandes, não importa a aparência, nem a demonstração de poder, mas a simplicidade de ser, que pode mudar, transformar pessoas e até o mundo ao nosso redor.

A semana segue com vários acontecimentos nos bastidores e na quinta-feira, Jesus reune os discípulos e em uma ceia, institui a Eucaristia, mas antes, dá um exemplo a seguir: lava os pés.

Um gesto que mais uma vez demonstra a simplicidade necessária para ser um verdadeiro líder.

Simplicidade com firmeza e clareza, pois Pedro o questiona, mas Jesus lhe dá uma opção: ser humilde e aceitar o que estava sendo feito ou não fazer parte daquilo.

Diante da firmeza do Mestre, Pedro se rende e até pede mais: “não só os pés, mas também as mãos e a cabeça”.

Jesus ordena aos doze que sejam servidores do reino, pois, se ele, mestre e senhor, estava servindo ao invés de ser servido, como poderiam eles, seus discípulos, quererem ser mais do que o mestre?

O que nos faz questionar se de fato temos a humildade em servir onde quer que estejamos ou se preferimos ser servidos.

Ainda na ceia, Jesus revela o que Judas, nos bastidores, estava planejando.

O que nos permite refletir se em nossa jornada não nos desviamos de nosso propósito inicial.

Lembremos: Judas tinha um bom propósito quando deixou sua família e seguiu a Cristo. Foi no caminho que ele se perdeu.

E nós, ainda estamos no caminho certo?

Mais tarde, Judas entrega Jesus - mas poderia ter se arrependido antes, quando Jesus o questionou à mesa.

Mas ele não o fez. E depois tirou a sua vida, enforcando-se.

Agora, sabendo da história através dos evangelhos é fácil condenar Judas.

Mas, será que, se lá estivéssemos, no lugar de Judas, a nossa atitude seria outra?

Isso nos ensina que julgar é fácil, principalmente quando não estamos na situação dos outros, quando não vivemos a situação e simplesmente, de fora da realidade da(s) pessoa(s) acreditamos ter a melhor solução.

Um detalhe: Judas entregou o Mestre com um beijo.

Aprendemos com isso, que nem sempre os que nos elogiam, o fazem com verdade. Pode ser apenas bajulação.

Jesus é preso. Os discípulos fogem.

E nós, quantas vezes já não abandonamos a Deus?

Pedro, meio às espreitas, quer saber o que está acontecendo com o Mestre. Por isso se mistura na multidão para não ser reconhecido.

E sua curiosidade o faz negar ser discípulo de Jesus três vezes.

Então Pedro nega, nega e nega novamente e ouve o canto do galo e chora arrependido.

O que para nós é um alento, pois não importa quantas vezes erremos, quantas vezes venhamos a cair em tentação; sempre há tempo para aprender, de tomar consciência, se arrepender e se transformar em alguém melhor.

No desenrolar dos acontecimentos, Jesus foi condenado pelos seus compatriotas.

Acredito - pois não estava lá para presenciar os fatos, mas é da natureza humana essa mudança - que muitos, que no domingo aclamavam Jesus como o Libertador, o Salvador… agora, na sexta-feira, gritavam e pediam sua morte.

O que nos ensina que nos deixamos levar tanto para um lado quanto para o outro, pelas opiniões alheias.

Enviado para Pilatos que desejava libertar Jesus, mas que cedeu à pressão das autoridades, e fez o que lhe pediam: entregou Jesus à morte.

No caminho para o calvário, Jesus encontra algumas mulheres que lhe oferecem consolo.

E, nós, será que oferecemos algum apoio, alguma ajuda aos que sofrem ao nosso redor?

Nas três quedas de Jesus aprendemos que em nossa jornada, haverá momentos muito difíceis em que cairemos, mas que também devemos nos levantar.

No calvário, entre dois ladrões, o Mestre é cobrado por um e é compreendido por outro.

Jesus perdoa os que o ofedem, os que o julgam, os que não acreditam Nele.

E nos mostra que o melhor caminho é o perdão.

Jesus entrega o seu espírito nas mãos do Pai.

E nos faz refletir se de fato temos coragem de entregar nossa vida nas mãos de Deus.

Jesus, ressucita!

E este fato muda a história.

Sem sua ressurreição Jesus não seria o Cristo, o Filho de Deus.

Seria apenas outro profeta.

A nós cabe também ressuscitar.

Se aprendermos a amar de fato, transformaremos o mundo ao nosso redor.

Que a Semana seja Santa e nos transforme e ressucite o melhor em cada um de nós.

Autor: Stan Victor Cichon

Radialista, Jornalista, Publicitário, produtor do canal Luz e Sabedoria no Youtube, palestrante e diretor da Mídia Total Publicidade. Eterno aprendiz.
Contato: stan.5000@gmail.com

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