XXXII Domingo do Tempo Comum | Ano A | 08/11/2026

Tema: O perigo de estar presente, mas não estar preparado.
Texto Bíblico: Mt 25,1-13

Caro leitor! Na parábola das dez jovens, Jesus não apresenta cinco mulheres que desejavam encontrar o noivo e outras cinco que não estavam interessadas em sua chegada.

Todas saíram para esperá-lo. Todas carregavam lâmpadas. Todas conheciam o propósito daquela espera. Todas desejavam participar da festa. A diferença não estava naquilo que demonstravam exteriormente, mas na maneira como haviam se preparado para o encontro. E aqui encontramos uma ligação profunda com o Evangelho do domingo passado.

Em Mateus 23,1-12, Jesus denunciava a incoerência daqueles que conheciam os ensinamentos religiosos, mas não permitiam que eles transformassem suas atitudes. Pessoas que falavam sobre Deus, defendiam seus mandamentos e ocupavam posições de destaque na vida religiosa, mas cuja maneira de viver nem sempre correspondia àquilo que ensinavam.

Ali refletíamos sobre o perigo de querer parecer aquilo que ainda não somos: santos. Agora, Jesus apresenta dez mulheres que, vistas de fora, parecem igualmente preparadas.

Todas possuem o sinal exterior da espera: uma lâmpada. Mas apenas cinco possuem a reserva necessária para mantê-la acesa. Aqui está uma das imagens mais provocativas desse texto. Você pode carregar muitos sinais exteriores de pertença a Deus, sem necessariamente tê-los em seu coração. Pois os sinais exteriores de fé não substituem aquilo que precisa acontecer dentro de você.

Você pode frequentar a Igreja durante décadas e continuar profundamente incapaz de reconhecer seus próprios erros. Pode defender a caridade e tratar com indiferença aqueles que não correspondem às suas expectativas.

O que sustenta sua fé quando desaparecem as condições que tornam relativamente fácil demonstrá-la?

É simples falar de confiança quando tudo acontece conforme seus planos. É confortável falar sobre humildade quando suas opiniões são respeitadas e suas decisões não são questionadas.

Mas o que acontece quando você perde o controle? Quando alguém contraria você? Quando você precisa reconhecer um erro?

É justamente nesses momentos que você começa a descobrir a diferença entre carregar uma lâmpada e possuir aquilo que a mantém acesa.

Porque a profundidade de sua fé não se revela apenas naquilo que você consegue demonstrar quando tudo está bem, mas na maneira como você atravessa os momentos em que suas seguranças são abaladas.

Entretanto, é importante não confundir essa profundidade com uma espécie de perfeição emocional. O azeite da parábola não deve ser entendido como uma reserva de sentimentos agradáveis ou como a garantia de que você nunca enfrentará crises.

Na tradição cristã, o azeite foi relacionado às obras de misericórdia e à caridade. Essa interpretação ajuda você a perceber que não basta conservar os sinais da fé: é necessário permitir que a fé se torne vida.

A lâmpada pode tornar sua pertença religiosa visível. Mas é o modo como você vive que revela se essa pertença está realmente iluminando sua existência.

Por isso a pergunta mais importante não é se você possui uma lâmpada. Mas o que você está cultivando para que ela continue acesa?

Jesus diz que todas adormeceram. Inclusive aquelas que Jesus apresenta como prudentes. Esse detalhe é fundamental porque impede uma interpretação simplista da parábola. Você pode pensar que as cinco prudentes eram mulheres extraordinariamente disciplinadas, capazes de permanecer despertas enquanto as outras se deixavam vencer pelo cansaço. Mas não foi isso que aconteceu.

A diferença entre elas não estava na capacidade de resistir ao sono, mas na preparação que haviam realizado antes de adormecer. Essa observação permite compreender algo importante sobre a maturidade humana e espiritual.

Você não é uma pessoa madura porque nunca se cansa. Você não é um cristão autêntico porque nunca experimenta dúvidas, fragilidades ou momentos de desânimo. A vida não exige apenas entusiasmo. Exige perseverança. E existe uma diferença profunda entre essas duas experiências.

O entusiasmo costuma aparecer quando algo desperta em você interesse, alegria ou motivação. Já a perseverança se manifesta quando você continua comprometido com aquilo que reconhece como importante, mesmo quando o entusiasmo diminui.

Na vida espiritual há momentos em que participar de uma celebração emociona profundamente. Uma música toca você. Esses momentos são verdadeiramente importantes. Mas seria um equívoco imaginar que a profundidade de sua fé pode ser medida pela intensidade das emoções que você experimenta.

Sentir muito não significa necessariamente amar profundamente. E sentir pouco não significa que você deixou de amar.

Você pode experimentar grande entusiasmo religioso e, ainda assim, possuir pouca disposição para enfrentar as exigências concretas da vida. A ausência de entusiasmo não significa necessariamente ausência de fé. Por isso, você precisa tomar cuidado com uma espiritualidade que depende continuamente de experiências extraordinárias para continuar existindo.

A fé madura não é aquela que precisa transformar todos os dias em experiências extraordinárias. É aquela que consegue reconhecer a presença de Deus também naquilo que parece comum.

Observe ainda que a demora do noivo não foi provocada pelas jovens. Elas não tinham controle sobre o momento de sua chegada. Podiam preparar suas lâmpadas, providenciar o óleo e permanecer disponíveis para o encontro. Mas não podiam determinar quando ele aconteceria.

Existem acontecimentos que dependem de suas escolhas. Outros escapam completamente ao seu controle.

A maturidade espiritual não consiste em controlar a chegada do noivo, mas em assumir a responsabilidade por aquilo que cabe a você enquanto você espera.

As frustrações nascem justamente da dificuldade de distinguir essas duas realidades. Você gasta enorme quantidade de energia tentando controlar aquilo que não depende de você e, ao mesmo tempo, adia decisões que estão ao seu alcance. Você deseja garantir o futuro, mas negligência aquilo que precisa construir no presente.

A diferença das cinco prudentes é que não transformaram a incerteza sobre o futuro em desculpa para negligenciar o presente.

Aqui está a pergunta que conduz essa reflexão: O que você está deixando para depois, como se tivesse certeza de que haverá tempo?

Você está esperando sentir-se completamente preparado para tomar uma decisão que já reconhece como necessária. Está esperando desaparecer todo medo antes de iniciar uma mudança.

Lembre-se que nem sempre a disposição aparece antes da decisão. Às vezes, ela amadurece justamente quando você começa a agir. E a perseverança não nasce apenas daquilo que você sente. Ela também se constrói através da fidelidade àquilo que você decidiu amar.

Quando o noivo finalmente chega, as cinco jovens imprevidentes percebem que suas lâmpadas estão se apagando. Procuram as prudentes e pedem um pouco de óleo. Mas recebem uma resposta inesperada: não há reserva suficiente para todas.

Jesus não está ensinando que você deve negar ajuda a quem se encontra em dificuldade. Tampouco está apresentando o egoísmo como uma virtude.

A impossibilidade de compartilhar o óleo conduz a outra realidade: existem dimensões da vida que podem ser acompanhadas, ensinadas e estimuladas pelos outros, mas que não podem ser vividas por eles em seu lugar.

Uma pessoa pode ajudá-lo a compreender suas feridas, reconhecer seus sentimentos e encontrar caminhos para superar um ressentimento. Mas ninguém pode realizar interiormente, em seu lugar, o processo de perdoar.

Existem verdades que você pode aprender com os outros, mas cuja transformação em vida depende de uma resposta que somente você pode oferecer.

Isso não significa que você é autossuficiente. Pelo contrário. A fé cristã ensina que você precisa da graça de Deus e é chamado a viver em comunhão.

Você não se salva por suas próprias forças. A salvação é dom de Deus, recebido na fé e vivido na caridade. Você também não caminha sozinho. Você precisa do outro. E isso não elimina sua liberdade.

Em todas essas situações, existe uma questão fundamental: Quando você procura ajuda, está buscando apoio para assumir suas responsabilidades ou alguém que as assuma em seu lugar?

Há momentos em que amar significa ajudar alguém a carregar um peso. Em outros, significa reconhecer que você não pode carregar por ele a responsabilidade que lhe pertence.

As jovens sabiam quem era o noivo. Estavam no lugar da espera. Tinham levado suas lâmpadas. Não eram pessoas completamente estranhas àquele acontecimento. E, mesmo assim, escutam: “Não vos conheço.”

Na linguagem bíblica, conhecer não significa apenas possuir informações sobre alguém. Quando a Escritura fala de conhecer Deus, não se refere simplesmente à capacidade de explicar corretamente quem Ele é. Refere-se também a uma relação que compromete a existência.

É possível conhecer uma pessoa há muitos anos e, ainda assim, nunca ter permitido que ela conhecesse aquilo que realmente acontece dentro de você. Pois a proximidade física não garante intimidade.

Da mesma maneira, a familiaridade com as coisas de Deus não garante, por si só, uma relação profunda com Ele.

É possível saber muitas coisas sobre Deus e continuar vivendo como se a relação com Ele não tivesse consequências para suas escolhas.

Quando o noivo afirma que não conhece aquelas jovens, a parábola não pretende sugerir que Deus desconheça a história de alguém ou que o amor de Deus dependa de seu desempenho religioso. Deus conhece profundamente cada pessoa.

Não se trata de um Deus que esqueceu o nome de alguém. Trata-se de uma advertência sobre a possibilidade de você reivindicar uma pertença que você não permitiu que se tornasse realidade em sua maneira de viver.

Essa mesma preocupação aparece em outra passagem do Evangelho de Mateus, quando Jesus afirma que nem todo aquele que lhe diz “Senhor, Senhor” entrará no Reino dos Céus, mas aquele que faz a vontade do Pai (Mt 7,21).

Aqui encontramos uma ligação extraordinária com o Evangelho do domingo passado. Em Mateus 23, Jesus denunciava aqueles que falavam, mas não praticavam. Agora, em Mateus 25, apresenta pessoas que esperavam, mas não estavam preparadas. Em ambos os casos, o problema está na distância entre uma disposição exterior e uma resposta efetiva.

É possível falar sobre Deus sem viver segundo sua Palavra. E é possível esperar por Deus sem preparar a própria vida para encontrá-lo.

Frequentar um lugar não significa necessariamente permitir que ele transforme você. Conhecer uma oração não significa necessariamente rezá-la com o coração.

A proximidade com o sagrado não substitui a decisão de permitir que o sagrado transforme sua existência.

Isso conduz você a uma pergunta particularmente exigente: Se Deus estivesse diante de você hoje, reconheceria em sua maneira de viver a resposta de alguém que realmente deseja encontrá-lo?

Não se trata de perguntar se sua vida está perfeita. Nenhuma das jovens da parábola é apresentada como alguém que nunca experimentou cansaço. Todas adormeceram. A questão não é a ausência de fragilidades. É a disposição de viver uma relação que continue existindo apesar delas.

Deus não espera que você se torne perfeito para começar a amá-lo.

Uma relação verdadeira não transforma apenas aquilo que você sente diante de alguém. Ela transforma também a maneira como você vive depois desse encontro.

Todas tinham lâmpadas. Mas nem todas haviam cultivado aquilo que permitiria mantê-las acesas. Todas esperavam. Mas nem todas estavam preparadas. Todas desejavam entrar. Mas nem todas haviam assumido, durante a espera, a responsabilidade por aquilo que lhes cabia.

Não basta desejar uma vida diferente enquanto você continua repetindo as escolhas que mantêm você exatamente no mesmo lugar.

Você não sabe quanto tempo terá. Mas você sabe que o presente continua sendo o lugar onde sua resposta pode acontecer.

No domingo passado, Jesus perguntou a você se sua vida correspondia à imagem religiosa que você construiu diante dos outros.

Hoje, Ele pergunta se você está preparando sua existência para o encontro que afirma esperar.

Por isso, a pergunta mais importante é: O que você está fazendo hoje para que sua vida esteja preparada para reconhecê-lo quando Ele chegar?
O perigo não é simplesmente adormecer durante a espera. É passar a vida inteira esperando por Deus e, quando Ele chegar, descobrir que você nunca permitiu que essa espera transformasse sua maneira de viver.

Autor: Pe. Adriano da Levedove

Padre, psicólogo, pedagogo e estudioso da psicologia analítica junguiana.
Contato: alevedove@gmail.com

“O melhor lugar para se estar é no Seu Coração, Jesus!” – Pe. Adriano da Levedove

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